quinta-feira, 12 de julho de 2012

Aborto


Na janela do lado eu fico parado,
notando, sentado e captando ações.

Velhos barões, cidades e sertões.
Guerras e guerrilhas apagando as visões.

Menino abortado, a família do lado, 
coração congelado que o destino nos deu.

Amizade falhada, marcado a morrer.
A fila que segue, chegando em você.

Não pense e não fale.
Desista e se cale.

Não ouça e não veja.
Desista e se cale.




quarta-feira, 11 de julho de 2012

Conheci na Vida


Hoje acordei na lua, 
estava linda de manhã,
entrei numa corrente 
e passei a tarde em Itapuã.

Para sempre uma maravilhosa sensação,
engarrafamento quase tântrico.
Pois ele morreu na contra-mão
e atrapalhando o trânsito.

Quando fecho os olhos, 
posso ir para qualquer lugar,
abandonei meu carro e 
peguei um taxi lunar.

Um taxista beleza
que sonhava em ser cabeludo,
sujeitinho arretado, 
cujo apelido era Maluco.

Na frente da minha casa
tinha um sujeito na calçada
que me ofereceu um cigarro e
disse que o tempo não para.

Não, eu não fumo. Mas muito obrigado.
Aí, eu reparei um magrão do meu lado,
"E aí, beleza? Eu já estava de saída. 
Mas fique bem atento porque essa vida é bandida!" 

Mais uma noite solitária e
eu fui assistir televisão, 
quando ouvi uns britânicos 
dizendo "não consigo ter satisfação".

Eu não entendi muito bem, 
mas poderia ser verdade. 
Aí o negão me ligou, 
dizendo que ia morrer de saudade. 

Este dia ficou muito doido, 
resolvi dormir um pouco.
Quem sabe, eu sonhe com 
a alvorada lá do morro.



sexta-feira, 8 de junho de 2012

calma


Da ausência da razão,
quase como supor sem exatidão.
Segurar com força todo conflito existencial,
largar da beira e gerar todo o mal.
A lua sempre volta, 
assim como o sol, 
assim como milhas distantes nos farão bem.

Da ausência da companhia,
quase como ter insônia durante a noite e dia.
As vezes precisamos sentir a essência.
Me ama, me esquenta, preciso de tua presença.

Na ausência do perdão,
não sei mais o que fazer,
eu não sei mais o que fazer,
eu não sei.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

ó beleza




É tudo muito distante, é tudo muito certo.
Toda essa exatidão de pseudo perfeccionismo está deixando de ser cobrada,
agora o feio é objeto de luxo em campanha alienista.
Estamos estarrados em manteiga derretida, sentindo o aroma do paraíso ao nosso alcance.

- É logo ali, bastam anos de esforço sobre natural e uma dedicação violenta ao regime.
- Tá tudo bem por aí? Pensei ter ouvido sussurros desesperados desse lado da roda.

Numa magnitude, a convergência mostrou estar sempre funcionando. do p&b
estamos em lcd, de lsd, cristal e tem até controle remoto!
Agora estamos bem, bembem, bem demais mesmo,
toda essa urina que ingerimos com rótulo vermelho fez efeito,
toda essa infecção nos consumiu.

morremos

fim

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

o que ninguem sabe.







Sua face pura me enxerga
Com um ar de dúvida,
O que me faz ter entusiasmo
Ao continuar lhe explicando
Um pensamento.

Você e seu semblante
Explorador hostil,
Sugam-me a alma e
Apoderam-se de meus
Pensamentos, me esquecendo em
Um mundo que sofre um
Atual bombardeio de informação.

- Isso não se faz. Mas é claro, eu consegui me adaptar!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

louca ó vida



Todo mundo cai,
e nada é verdadeiro.

Todo mundo ama,
mesmo sem ser o primeiro.

Todo mundo chora,
mesmo de felicidade.

Todo mundo sofre,
mesmo já sabendo.
Todo mundo vive,
mesmo que só sobrevivendo.

sábado, 7 de agosto de 2010

a gente junto, não rola.


'


Toda beira será requisitada.
As nossas tetas, já mamadas, não satisfazem mais.
Nossas cores serão substituídas ao monocromático,
assim como nossas mais belas canções stereofônicas deixarão de existir.
A modernidade é isso!
A modernidade é aquilo!
e o que a gente produz?
a modernidade que "desmoderniza" o pensamento racional e criativo,
Viva o google! viva a publicidade!
a mais poderosa arma ainda será utilizada para o bem.